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Amor ou
Paixão ?
Quem já mergulhou de cabeça no amor? Quem já teve aquela sensação de se diluir e de se perder no outro, como se estivesse completo?
Acredito que muitos de
nós. Mas, será que o que sentimos era realmente
amor?
Na
realidade, o que vivemos foi o encantamento da paixão. Nessa fase do
relacionamento, o casal experimenta um estado de magia que se alimenta do
desejo e da atração, mas que cega a ambos. O parceiro não está realmente
visível para o outro. Não há questionamentos e tudo ilusoriamente se
encaixa.
Com o
passar do tempo, a atração diminui e o hábito se instala na relação. Ambos
se acostumam e passam a apreciar a segurança dessa familiaridade que surge
ou, então, começam a se sentir entediados.
A próxima etapa
é o surgimento de insatisfações e de mágoas não declaradas. Um dos
parceiros ou ambos podem se sentir traídos ou passados para trás, embora
não enxerguem que o traidor são eles próprios por terem alimentado
expectativas irreais a respeito do
outro.
Com os
desapontamentos, surgem as queixas, as desqualificações e o
distanciamento...O que era uma qualidade no outro se torna um grande
defeito. "Você deveria ser diferente do que é", Você não serve". Assim, o
que deveria ser é sempre o certo, e a pessoa real é
errada.
Nessa fase do
relacionamento, o casal tem duas opções ao lidar com o impasse que se
formou: separar, para ir atrás de outra paixão, ou aprender a amar.
Como cada casal tem a sua
história, nada é previsível. Entretanto, o caminho mais difícil é o do
amor, por isso muitas separações acontecem, nessa
etapa.
Se há uma base
afetiva que os una, o casal desejará reconstruir, mas, para tal, terão que
se despedir da paixão e da cegueira que a acompanha para ir de encontro a
algo mais sólido.
É
necessário que aceitem as limitações da realidade, as imaturidades do
outro, que aprendam a lidar com as diferenças agora descobertas, e que
procurem agir e optar em termos realistas. É uma fase de muito trabalho e
persistência. Não há garantias, é um arriscar
consciente.
O casal terá que
desistir de antigos modelos, transformando antigas atitudes, encarando a
verdade dos fatos para
recomeçar.
Se o casal
transpõe esse período conturbado, eles conseguem um casamento real.
Estarão unidos não apenas por causa da paixão, mas em virtude do
comprometimento maior do Amor, que inclui traições de ideais,
ressentimentos, separações, desespero , entendimento e
perdão.
O Amor vivenciado na
realidade trará um estado de contentamento nada efêmero, como aquele da
paixão.
O amor ao parceiro
permitirá o Amor à Vida, onde um não precisa do outro para viver, mas
escolhe ficar com o outro, reconhecendo sua
individualidade. Nesse momento, fruto de um processo de amadurecimento, aprende-se a distinguir entre amor e dependência, amor e obsessão, amor e sexualidade, e por fim entre amor e paixão. Elisabeth Salgado |