SONHOS NÃO SÃO EM VÃO


Monto no pingo,
enquanto os olhos fixos
bombeiam pra diante,
buscando no horizonte
a harmonia de um lugar,
onde pudesse ficar
remoendo meu pensamento.
E pra companhia desse momento
somente o meu sonhar.
Tropeio pelo campo.
A brisa sopra meu rosto,
lembra carícias sonhadas
de tuas mãos delicadas,
com pele suave e quente.
Ao longe um horizonte
e, por detrás do monte,
a barulho da cachoeira.
Ato o pingo na pitangueira
e me prostro pro meu momento,
ficando o flete  pastar solito.
Na cachoeira a orquestra
de água e pedras que se acariciam
como amantes da natureza.
À beira da sanga, harmonia e beleza
do capão de mato florido.
O canto dos pássaros é o vocal
da musica afinada
pra os meus ouvidos.
Sento abaixo da cachoeira
para ouvir o canto das águas
que me leva para um mundo de magia.
Cabisbaixo a pensar
que possa se concretizar um dia,
o meu sonhar.
Se tornando assim real
minha louca fantasia.
No galho de tarumã
uma orquídea florida.
Se destaca colorida
entre o verde da paisagem.
Me traz no recuerdo a imagem
do teu rosto angelical,
de uma prenda desigual
com porte igual a flor.
De imponente realeza,
misto de beleza,
ternura e amor.
Me dou conta que estás comigo
somente ao sentir o teu perfume.
Nem percebo tua chegada
e que talvez faça tempo
que estás a contemplar,
a me olhar quieta e parada.
É quando tua mão macia,
com dedos quentes,
minha face acaricia.
Quase num de repente
interrompo meu sonhar
e fico a contemplar
teu olhar de primavera.
E sem palavras
nossos olhos proseiam,
contando segredos
que há muito tempo volteiam
os bretes do coração.
Ao tocar tua face
tenho o mundo em minhas mãos.
É um momento,
mais um no meu sonhar.
Que parece se tornar
a pura realidade,
mas eu sei que na verdade
te queria junto de mim
e estou solito assim
sem poder me acordar,
pois é mui lindo o meu sonhar
que não quero ver o fim.
O que posso fazer
eu, um simples peão?
A não ser sentir o teu perfume
e andar por um mundo de sonhos e ilusão.
Olho as flores da primavera
que cobrem o campo.
Nelas vejo o teu encanto,
tua beleza infinita,
de uma prenda tão bonita,
que na ternura invade meu coração.

Sonhos não são em vão...
Ruben Alves Vieira
 

 

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