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De boca aberta
Urhacy Faustino Em nossas brigas não voam televisões, nem há corporais agressões: o verbo é a flecha que nos perfura mesmo nos tempos e modos que a gente se censura. Trocamos o costumeiro texto sacana por verborrágica luta insana e, se alguém se sente em desvantagem, apela pra figuras de linguagem, misturando metáforas, pleonasmos, com licenças poéticas, no orgasmo ao medirem forças dois titãs. Até que já sem fala, de manhã, mais sedentos que famintos, como taças nos bebemos um ao outro, extasiados de repente sem palavras, embriagados, (eis que a língua se enrola, a gramática falha), nos lambemos em nossa cama de batalha, onde desejos e tesões explodem atômicos em delírios guturais, gozando afônicos. |