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CENÁCULO DOS DESABRIGADOS...
Nídia Vargas Potsch
Perseverar em súplicas
que tanto lhes ferem,
quanto me abrem em chagas,
é o meu único recurso...
Sigo por caminhos tortos,
vielas oblíquas desta vida.
Levo nos ombros, por testemunha,
um encardido lençol atado nas quatro pontas,
com minguados cacarecos de escombros...
Não sou Senhor nem de mim mesmo.
Vestido com andrajos,
maltrapilho, assustador,
um molambo qualquer,
que ninguém mais quer...
Vítima do desamor, da insensatez,
mas esperançoso,
da misericórdia e do respeito alheio.
Construí de papelão
esta humilde morada,
nessa corroída e estreita calçada,
a espera... de algo bom acontecer...
* * *
Rio, 2004

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