Sábado de Manhã
Flora Figueiredo
 
Destapo o silêncio,
recolho o recato,
escondo meus medos
embaixo da sola do sapato.
Guardo o calmante no armarinho,
dobro o resguardo,
afrouxo o botão do colarinho.
 
Ponho pra quarar meu coração
desidratado de tanto chorar.
Varro a calçada
das dores de antigas madrugadas,
abro a porta da frente.
Se alguém tiver um sorriso pra me dar,
por favor, que venha.
Limpe os pés,
e se apresente.

 

 

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