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BONECA DE PANO

Era a flor mais linda
da Estância do Bem Querer,
dava gosto de ser ver
qual colorido da natureza
e nos enchia de pureza,
ao respirar de seu perfume
como luz de vaga-lume
nos olhos brilhava beleza.
A sua face serena
refletia encantamento
do mais puro sentimento,
na meiguice de seu ser,,
sem maldade no viver
onde o mundo é fantasia,
na infância toda harmonia
e o carinho que se possa ter.
Uma boneca de pano,
sua fiel companheira,
que embalava faceira
com cantigas de ninar.
Seus sonhos a lhe confiar
certa de ter compreensão
e brotava de seu coração
muito amor para ofertar.
A vida lhe dava tudo
sem lhe negar quase nada,
mas, quando na madrugada
acordava do soninho,
só encontrava em seu ninho
a boneca companheira
que pra ela era faceira,
mas, nunca a lhe dar carinho.
Apertava forte no peito
e perguntava quase chorando:
"Se estou te abraçando
É por amar e querer bem,
sou tua mãe também,
és minha filhinha querida,
mas, por que em minha vida
minha mamãe não vem?"
Abraçava sua boneca
e sem resposta adormecia.
Quando clareava o dia
novamente ia brincar,
mas, nunca a reclamar
do que a vida reservou,
se da mãe ela privou
do amor não irá privar.
Hoje a flor ainda exala perfume
para embelezar nossa pampa,
pois, carrega na estampa
uma grandeza infinita
e em seu peito palpita
um sentimento de pureza,
que ostenta tamanha beleza
de uma prenda tão bonita.
Carrega sempre em seu porte
a graça e a simpatia,
que aos olhos traz alegria,
amor e querer bem.
Ainda se pergunta também:
"Se quis ser a filha querida,
por que em minha vida
mamãe ainda não vem?"
Carinhosamente
Ruben Alves Vieira
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