FALATÓRIOS* Ervin
Figueiredo *
Dentre os muitos males que o verbo infeliz pode produzir, o mexerico
é, possivelmente, dos mais graves. Semelhante a vaso pútrido, o
falatório exala miasmas pestilenciais, que contaminam os incautos, que
dele se acercam. Ali proliferam a maledicência insensata, o julgamento
arbitrário, a acusação indébita, a suspeita inapelável, a infâmia
disfarçada, quando não irrompe a calúnia maleável, capaz de engendrar a
destruição dos mais nobres ideais e vidas respeitáveis. Atira-se
a brasa do falatório inconsciente e espera-se que o fogo da
irresponsabilidade ameace, devorador, a estrutura onde produz.
Nasce na conversa simples, porém, perniciosa. Emana de
uma observação candente e feita de impiedade, a qual se difunde facilmente
por ausência de serviço edificante, em decorrência da hora vazia, pela
dilatação das apreciações indébitas. O falatório é, também,
verdugo do falador, porquanto, aquele que se compraz em censurar, torna-se
vítima da censura alheia. Acautela-se dos que somente sabem
colocar ácido e observações infelizes. Não estás imune à
acusação deles. Se te trazem informação inditosa, por mais amigo
que te seja, de ti levará informação incorreta para outrem, a quem chama
amigo, e que ignoras. Não permitas que os teus ouvidos, voltados
para a verdade, se convertam em caixa de acusações desditosas.
Ninguém te pede a santificação em um dia, nem espera a tua
redenção em uma hora. Aliás, se isto se dera, o beneficiado
seria tu próprio. Todavia, todos aguardam que não incidas,
reincidas ou insistas no erro, promovendo a renovação dos teus propósitos
cada dia, a toda hora, em cada instante. O teu chamado ao
EVANGELHO DE JESUS significa compromisso novo para com a vida e, se outrem
erra, não te utilizes do erro dele, para que justifiques o teu erro.
Não prestarás satisfação da tua conduta ao teu próximo, mas
àquele que te enviou a servir. Sempre que falares, fazei o
falatório do bem: desculpai, ajudai, perdoai e compreendei. O
irmão caído não necessita de empurrão para mais baixo, entretanto, espera
mão amiga para reerguer-se. Quem erra , tem a ferida do engano.
Aquele que se equivoca , padece a ulceração do erro. Disputa
a hora de acertar , falando sobre o bem , em nome do SUPREMO BEM, para
teu próprio bem.

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