O sonho

Entra comigo em meu leito, no peito a emoção
Ao ouvir voz meiga e doce com rugas do amor
Tremeu extasiado, logo adormeceu meu coração
Entrou no jardim, tantas rosas, botões e em flor
Cinzas que cai na vida, são labareda sem vulcão

Sonhar... que entende no dormir o pensamento
O coração bate, vezes, de medo e atrapalhado
Encontramos o impossível na terra e firmamento
Ficando com medo mesmo depois de acordado
Perdemos o gozo, o prazer, doce desse momento

No dormir vem pensamentos ocos e com rudeza
Montes de vendavais, redemoinhos no sideral
Quantas vezes faces docinhas e tem tanta beleza
O corpo a saciar-se de amor, acorda, não é igual
Mas o que havemos de dizer!... isto é natureza

No dormir... quem me dera esta pureza do viver
Continuar estranhamente forte, bem duro e altivo
Acordar; nem jardim ou flor, sem corpo ou prazer
Só vergonha... o sonho existe, e vai viver comigo
Amigos... é poesia, é assim os dias do meu viver

Por Armando Sousa
Toronto Ontario Canada

 

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