Rio de Janeiro, 10/10/2003
Olá......
Te escrevo novamente. Mas, talvez seja agora diferente,
sem a emoção consumida a ditar-me o coração.
Sigo a estrada da vida, sem querer mais acolhida nos versos
que
te fiz. Não usarei os meus sonhos, nem felizes nem
tristonhos,
pois deles fui aprendiz. Não terei mais ilusões, nem rirei
das
brincadeiras trocando o diz-que-diz.
O silêncio é culpado por eu não estar a teu lado e assim
também o recado que o vento levou de mim.
Não importa, eu te entendo.
Dou-te toda liberdade, não falarei mais de saudade nem de
nenhum sentimento que me possa atormentar.
Ah! Secarei também a fonte que matava minha sede, pois
destruíste a ponte que te ligava a mim ...
Arrancarei todas
as
flores que plantaste em meu jardim...
Darei um nó na
esperança,
pois o tempo está correndo...
Varrerei toda lembrança, não
quero nada me doendo...
Não vou querer nem saber o que se
passa contigo.
Se disseres, te ouvirei... e nada de mim direi.
Bem, pode ser que eu esteja errada... mas seguirei a jornada
no
caminho que escolhi. Embora estejas tão perto,
não me
aproximarei
mais de ti.
Ao terminar, te digo apenas:
não terás mais nenhum dos meus
poemas!
Eliana Ellinger *

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