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venhas na sublimidade
Maria Regina
No recôndito mistério da etérea luz,
venhas abraçar-me em sublime incorpóreo amplexo,
tal qual seres angelicais de além-astros,
nas delícias de minh'alma, substância eterna.
Em inexauríveis carícias, abres os tesouros,
extasies-me a mente em delíquios exaltados,
tornando-me mortal em pecados infindos,
nos ardentes sentires dos fátuos desejos.
Despertes-me em sensação de fogo,
nas insondáveis procuras sequiosas,
de corpórea inanição ignota imensurál,
nutrindo e preenchendo o vazio indefinível.
Suavizes-me os lábios de vate ressequidos,
com suaves líquidos, e, ao corpo, dês-me
o martírio do sublime amor prometido,
em devoção a ventura da paixão eterna.
Ameiga-se-me na consciência os
primores teus, qual luz matutina, e, em
sorrisos, vais descerrando minh'alma,
com a placidez dos justos e da inocente visão.
Alfin, no iluminado adormecer teu,
em ode angelical, ao céu, a sublimidade
do amor cantarei, em harmônica linguagem
da mulher seus amores, saindo do
claustro circunscrito da morte
ao qual encontro-me, resquícios da
essência minha que torturam.

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