Depressão
Cida Valadares

Só, outra vez... prescuto o silêncio
Que  quer vazar...
Soa e cala a noite num adormecer e acordar
Não me contenho com o que não mais tenho 
E enterro meu olhar... no mar.
E aí chega a poesia, para me acompanhar.
  de onde veio? Quantas vozes vieram?
Para me questionar?
 vozes silentes golpeando me o peito
Já tão desfeito... dores presentes
E eu, mísero ser, a suportar!
Crivada de amargura, de solidão, sem ternura
Me integro ao meu olhar mergulhado,
Constelado, vitimado
Pelo indecifrável mistério que é sofrer.
Fazemos parte do abismo que assola nossos pés.
Ébrios de tormentas!
 ainda nos deitamos e rolamos ao chão que se fez mistério
Ao orvalho misturam-se minhas lágrimas,
 choradas ao vento, lento... lento! Vento. Lento...
Sinto-me arder a pele
E a febre me alucina...
Será delírio? Meus braços ganham asas e te procuro,
Onde andarás?
Vôo no mais profundo abismo de mim mesma.
E pouso rasgando meu ser.
Cegaram-me os olhos... ardidos de sal e de sol
Miragem sem oásis
Injeto-me e me enclausuro
Só escuridão... solidão
Imensurável dizer...
Volto a adormecer!!!

 

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