Lembranças
Quanta vez caminhou pela escuridão da vida, pelos becos da alma a sua
procura
Sede saudade, loucura
Cálice da paixão
Quantas noites mal dormidas e nos abraços insólitos do vento e a lua
sobre a deserta avenida
Quantas noites, quantos dias?
Se na antítese do meu coração céu e mar se fundem originando o mito
saudade, saudade de ti
Saudade do teu cheiro, do teu gosto, do teu toque, do teu som.
Saudade sem limites sem idade, sem vaidade, somente tão somente saudade.
Quanta vez cavalgou pela noite na esperança de reencontrar o teu galope
Queria por um instante apenas me agarrar aos teus cabelos, sem receios,
sem apelos.
Quantas vezes teu nome foi gritado ecoado pelas planícies do meu coração
Quantas vezes teus passos se perderam na imensidão da minha alma pagã
Espelhos da vida na rudeza da lida
Mãos, abraços esperanças desvalidas.
Quantas vezes ti vi chegar
Quantas vezes a vi partir, sobre os acordes da minha ilusão
Saudade nua saudade tua minha amada
Quantas vezes?
Sob os raios tímidos, tênues da lua.
Sob os raios do sol que banham meus pés descalços na calçada.
Hei de estar a tua espera até que os portões da vida se fechem sobre mim
Mas, até quando suportarei essa espera?
Amantino Silva