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Era uma
vez... uma menina que sonhava...
Como num conto de fadas, seria
surpreendida pelo príncipe dos seus sonhos, que a levaria ao tão esperado
lugar de ser feliz.
Em sua ingenuidade de criança, para ela, ser feliz
era um lugar e não um estado de espírito.
Cidinha tinha
apenas nove anos de idade, e, portanto, seus sonhos eram recheados
de uma fantástica riqueza, como se não houvera sofrido nenhuma decepção.
Estava, apenas, debutando na vida.
Em sua festa de debutante, não
haveria vestido de gala, nem valsa para dançar, e, muito menos um
pai presente, para acompanhá-la na tradicional valsa.
Em sua festa,
havia um homem, sim. Mas era um homem rude, travestido de príncipe,
alimentando seus sonhos, lhe dizendo do caminho a seguir para ser
feliz.
Cidinha, em sua ingenuidade, imaginava seu mundo e o que
poderia conquistar, deixando de viver as atrocidades que a vida havia lhe
oferecido, até então. É chegada a grande noite.
Nossa menina,
radiante de felicidade, se prepara para a sua grande festa. Iria
debutar, precocemente, porem, lhe havia sido conferido esse direito,
pelo seu inquestionável e soberano " príncipe salvador".
Lava e passa o
seu melhor vestido, um pouco roto, pelo intenso uso. Presente generoso da
patroa de sua mãe, embora de segunda mão.
E o sapato? Qual deveria
usar? A escolha não foi difícil, pois os únicos que lhe serviam,
era, um par de sandálias havaianas.
Os longos cabelos, naturalmente
lindos, negros e lisos, lavados, simplesmente, conferia à sua nata beleza,
um ligeiro toque exótico.
Ao se ver refletida no espelho, sente-se
linda... e como uma Cinderela, embarca na sua aventura, sobre seus
humildes chinelos de borracha.
Anda muito, pois havia uma grande
distância em sua caminhada, até o local do grande evento.
Enfim, chega
ao seu destino, o " lugar de ser feliz", num bairro nobre de
uma cidade maravilhosa.
Que deslumbrante! A noite... o mar... o
reflexo da lua... quanta gente bonita!
Diante do local combinado, lá
estava o seu príncipe à sua espera.
Cidinha é levada até um
luxuoso hotel, onde encontra um homem que lhe fala palavras
estranhas.
O que será que ele quer dizer? Eu não entendo! pensa
silenciosamente...
Passa a entender, quando, por não entender, começa
a ser agredida.
As agressões são físicas, morais... imorais.
Nossa
menina se apavora, e pensa:- Será que o príncipe não gostou do meu
vestido? Acho que não gostou de mim.
Em um dos golpes é fatalmente
atingida... ela pára de pensar... pára de sonhar... passa a ser
simplesmente um número.
Vergonhoso número dentre as crianças, covarde e
impunemente vitimadas pela abominável e monstruosa exploração sexual
infantil.
Cidinha cala... e nós, covardemente calamos.
O " príncipe"
refaz, tranquilamente, as suas malas e retorna ao seu
país.
Afinal, estava somente passando alguns dias de férias, em uma
cidade maravilhosa...
Então, era uma vez... uma menina que
sonhava dançar uma valsa... no lugar de ser feliz...
Maria Luiza Bonini Este texto é de minha inteira
responsabilidade. conto
A/2-ago.07
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