SABIÁ
Anna Peralva
No meu pé de manacá
entre flores perfumadas,
um solitário sabiá
entoa sua melodia delicada.
Você que voeja pelo mundo
como eterno cantador,
fica mais um segundo
e alivia minha dor.
O meu peito feito ao meio
ilude-se com seu canto,
vestindo seu lindo gorjeio
para despir o desencanto.
Seu som retoca o tom da vida
onde a saudade macula a beleza,
a alma anda só e perdida
nas grades da tristeza.
A matéria perdeu a juventude
quando o amor silenciou,
o tempo em toda sua amplitude
a sentença final decretou...
Sonhos desfolhados ao vento
nos versos sempre dispersos,
a nostalgia do lamento
num espelho sem reflexo.
Meu olhar sempre distante
suspenso numa estação passada,
espreitando na linha do horizonte
a felicidade tão almejada.
Quem me dera meu sabiá,
desprender-me desse frio chão,
embrenhar-me em sua canção
e ter asas para bem longe voar!
2007

<< voltar >>