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Meio-fio.
Paula Torres
Encontro sagrado de todos os dias
Pela manhã bem cedo, no mesmo lugar.
O mesmo rosto de criança travessa
A compra do jornal, um largo sorriso
Palavras amigas, um até mais.
Tempo passado. Desencontro.
Novos caminhos. Reencontro.
Cresceste... jovem menino!
Já não és mais aquele moleque
Que de longe seguia e via
Com um enorme carinho.
Sabes, garoto amigo.
Andei por tempo distante
Da chama do amor constante
Hoje, bem vês...
Ando por novos caminhos
Piso em pedras, flores e espinhos.
Recuso, magôo, machuco.
O mais recente carinho.
Vejas a vida, desconhecido.
(que empolga e desanima!)!
Volta um pouco ao passado
A esse muito ignorado
(que já foi tudo e tanto)
Que pensas, meu amigo?
Sinto em teu olhar mágoas adormecidas
Trazes no rosto, marcas de lágrimas esquecidas.
No corpo miúdo um cansaço infinito...
Mas... és tão jovem e tão menino!
Que fizeram de ti, moleque querido?
Jogaram-te no mundo sem prévio pedido
Negaram-te beijos, afagos e carinhos.
Deixaram-te amargurado e sozinho.
Fala-me caminheiro descrente
Das trilhas que percorreste com crença
Diz-me do teu “eu” menino.
...
Noite sem fim...
Entre o silêncio e a solidão
Cortejo o sono vendo a chuva cair...
(Como um canto doce de lamento)
E penso em ti... garoto amigo
Revocando a tua imagem antiga
Para guardá-la, ternamente, no coração.
Teu rosto hoje apático – morte em vida.
Por quê?...
Não sei!... Nada quase sei!
Pergunto-me, inquieta,
Se fui eu quem mudou
Ou se foi a vida, menino.
Que te transformou.
Paula Torres
Fortaleza/Ce

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