NÃO ESTRANHE...
Naidaterra

Não estranhe se um dia de repente
não ler mais meus versos, ou se ler,
neles não mais se achar...
Se o mel da minha voz não te enebriar
e não lhe parecer mais doce...
Se minhas mãos recolhidas
e fechadas não mais te tocarem...
Não estranhe se meu olhar deixar
de ser teu luzeiro e meu corpo teu oásis...
Não estranhe se não conseguir me
encontrar nos mesmos lugares e sentir
uma desdenhosa frieza... tristeza...
Se não me ver abrindo a janela e
eufórica abrir a porta...
E se vier e ver rubras pérolas
rolarem pelo meu rosto,
não estranhe...
É só o fim de uma história,
lei inexorável da utopia...
Melancolia...

 

 

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