Realmente é uma grande lição de vida, de aprendizado,

de coragem e de dignidade...

De respeito a si própria... Mudar nossa vida é sempre um desafio, mas por mais dolorida que seja a mudança, ela é necessária para podermos sobreviver,  encontrar a nossa felicidade ou pelo menos, tentar acima de qualquer coisa. O depoimento é longo, mas vale à pena ler até o fim.
Beijos
Sol Lua©




NAS MINHAS ANDANÇAS APRENDI - QUANDO O AMOR SE TRANSFORMA EM CÂNCER - TUMOR DA ALMA...
 


Hoje vou falar (infelizmente tenho que falar de meu passado, para que, quem passa o que já passei possa acordar enquanto é tempo). O que vou relatar agora são fragmentos de uma vida cheia de dor, fel que cumulou-se na alma e no coração. Casei-me muito cedo, perdidamente apaixonada, diria que existia meu marido na terra e Deus no céu. Se houve amor sentido plenamente, amei meu marido perdidamente. Hoje garanto, não existe amor quando há humilhações, dores, e sofrimento, diria que é covardia e medo de dar um basta e recomeçar. Deixei de ser covarde, dei um basta....


Não sei o que se perdeu no percurso de nossas vidas e aos poucos fui perdendo meu marido e foram acumulando-se mágoas, dores e muitas lágrimas. Meu marido me traia ( não foi uma vez, foram inúmeras vezes e diria que não nasceu o homem que consiga manter duas mulheres com o mesmo afeto e ternura). Peguei-o em minha cama com outra, minhas roupas intimas estavam todas viradas, a moça provou todas minhas calcinhas, camisolas etc...


Não foi falta de diálogo, sexo, carinho, ternura de minha parte. E eu, afirmando entre lágrimas que o amava. Não, não era amor, era vicio, ele foi a pior das drogas que alguém ( eu ) pode provar. Arranca-lo a força de minha vida quase custou a minha, paguei um preço muito alto pela minha suposta liberdade. Lembro-me do dia que abri a gaveta dos talheres e comecei separar, um garfo para mim, outro para ele, uma colher para cá, outra para o outro montinho. Os jogos de lençóis de nossa cama dividimos, edredons, pratos, copos, enfim, dividindo tudo e minhas lagrimas encharcavam o chão.


Diante do Juiz, na Vara de Família em Guarulhos, a pergunta.
- A senhora tem certeza da decisão tomada?
- Sim Senhor, tenho sim. Obrigada!


Hoje, passaram-se sete anos separados e dentre, quatro anos do divorcio e faz nove anos que ele está com uma outra.


Deve estar perguntando-se, porque a Mari está falando disso agora. Estou falando porque tenho uma amiga que chegou aqui em casa em prantos e afirma amar o marido perdidamente e ele tem outra e ela chorou desesperadamente. Conversávamos e ela dizia:
- Mari, eu o amo, como vou viver sem ele?


Apenas disse-lhe que hoje minha liberdade e até mesmo a solidão que por vezes incomoda, mas não tem preço. Resgatei com a mais absoluta certeza a paz, minha dignidade, respeito por mim mesma que havia perdido dentro de mim. Havia me anulado em função do suposto amor. Mas, como sentir amor por alguém que nos despreza, maltrata, ofende, magoa e quer apodrecer nossa alma?


Você, sim, você que está vivendo um momento de traição e sua alma sangra agora, vou dizer-te que já sangrei até quase a morte. Que passei anos de joelhos diante do suposto amor, implorando tudo, mendigando um carinho, um gesto qualquer e tudo que sobrava para mim, era a certeza que a outra era amada e eu jogada na privada, no lixo da vida.


Nos últimos cinco anos, em todos os Natais saia para me esconder e chorar sentida, havia perdido meu lar, família não mais existia. Sentia nos olhares dos meus pais, meus dois irmãos e meu único filho uma piedade por mim, uma tristeza. Em 2002 foi o único Natal que não senti a menor tristeza, que não chorei, nem lembranças haviam de outros Natais. Não houveram lágrimas, não houveram dores....meu coração nesse ano foi tomado de uma paz tão grande, de tranqüilidade que até senti medo de mim mesma.

E até meus pais estavam alegres . Tenho minhas dificuldade, claro, por vezes andei me arrastando, e ainda vou sofrer mas, hoje os lamentos do passado não mais existem, e garanto para você, quem lamenta é ele.


Hoje, vivo em paz com outra pessoa e ele vive seguindo-nos. Na frente do prédio tem uma lanchonete e ele faz questão de sentar-se na primeira mesa, fica de frente para a sacada da sala. Envelheceu, e quando me vê abre um sorriso cheio de ternura... e quem sabe de saudade...a outra? Ele mantém uma relação longe, ela em são Paulo e ele aqui em Videira...


Garanto mais ainda, se eu pegar no telefone agora e dizer para ele que volte pra casa, não tenho a menor sombra de duvidas que no Maximo em duas horas ele estaria aqui. Fez a escolha errada? Sabendo que ela tornou minha vida um inferno ( por ela fui chamada de vagabunda, sem vergonha, chifruda, fui muito humilhada ). Não sei, não quero criticar ele e nem ela, afinal ela não me devia respeito, meu marido era ele. Hoje, olho para ele sem rancores, sem mais dores, apenas piedade, sim pena de um homem que perdeu tudo, poder, status, dinheiro, perdeu até a dignidade pois, destruiu seu lar em nome de falsos amores, perdeu trabalho, mora num beco. E era um homem rico.


Hoje meu filho contou-me que no Natal a patroa (a outra) do pai dele foi humilhada durante o almoço, por minha ex cunhada mais nova, diante de todos. A bem da verdade fui casada por vinte anos e nunca disse uma única palavra que fosse desagradável diante da família dele, o que não ocorre com a outra agora e sempre tive um suposto respeito da parte deles. Conto esses momentos para você agora, saber que, somos poderosas, que somos gigantes, que somos guerreiras quando somos esposas e somos mais ainda quando dizemos basta.


Descobri que sou mais eu e que a felicidade está quando se ama e é "amada", respeitada, acariciada. Descobri que não tem preço deitar-se sozinha e dormir nos braços de Morfeu e em paz, pois deitar-se ao lado do inimigo e passar a noite chorando sozinha é terrível, e adormecer soluçando baixinho, e foram anos que dormi com o inimigo.


Sabe o que lamento?


Lamento ter perdido os melhores anos de minha vida tentando salvar o Tetânica (meu casamento), perdida em lagrimas, sofrimento e medos.


E foi esta conversa que tive com minha amiga, ela chorou muito e retornou para sua casa, perdida em duvidas e em pensamentos. Ela vai tomar que atitude? Ela vai separar? Ele humilha e ofende ela. Até quando ela vai agüentar? Eu não sei te responder, mas ficou em mim uma certeza, ela vai tomar a decisão certa no momento certo, pois era mais certo que o mundo acabasse que me ver divorciada, e veja só, o mundo não acabou e e eu estou livre das garras do inimigo e diria que esta liberdade faz-me dormir em paz comigo mesma. Garanto também que nao foram fáceis os primeiros anos, mas como nada é eterno, a tristeza não é mesmo. Eu já namorei depois, foram relacionamentos que nao deram certo mas, nem por isso me perdi em prantos , nao me permito sofrer nunca mais como foi quando estava casada.


Hoje, quero ser amada para poder amar. Nunca mais amar sem ser amada.
E se não der certo, recomeço tudo novamente em quantos relacionamentos forem necessários. Ficar detida na prisão das lágrimas, nunca mais. E hoje para mim, tudo é eterno enquanto durar, respeito dou e quero.


Hei, você! Está triste porque sua historia se parece com a minha e de minha amiga? Abra bem os olhos, olhe a sua volta e veja quanta coisa legal há. Chorar faz parte da vida, mas não por muito tempo pela mesma historia. Somos nós construtoras da nossa historia, somos nós construtoras de nossos dias, somos nós construtoras de decisões... Tome a sua mas, ponderada e segura. Garanto com todas a letras, é mais fácil, muito mais fácil recomeçar que chorar ao lado e sentindo-se sozinha, em pleno abandono e vendo a figura do marido ao lado.


Radical eu ? Não, foi a decisão que tomei para "minha vida", e levei treze anos para dar um basta, e a felicidade não tem receita. Sou mais feliz hoje? Claro que sou, nada no mundo me deixa mais feliz saber que não tenho alguém para chorar pelas humilhações, ofensas e falta de respeito por mim como ser humano, gente.


È bem verdade que a fragilidade faz parte, porém, nada é eterno. De tudo em minha vida o que mais doeu foi sentir pena de mim mesma... como doeu!


Então, vou sossegar meu ser agora, devolver meu passado para a caixinha de recordações (afinal minha vida não foi escrita com lápis, que apaga-se e pronto, esquece tudo. Não, não esquecerei uma virgula, apenas são lembranças vividas que foram de dores e hoje olhando-as quando abro a caixinha, não há mais lagrimas, nem lamentos e muito menos a profunda dor que sangrou meu coração por anos.


Vou torcer que minha amiga abra a porta que lhe parecer a mais correta, e seja feliz. Que goste mais dela que seu marido, e que seja feliz, afinal para aprender a nos amar é mais difícil que amar os outros e eu aprendi me amar e muito.


Que nossos corações sejam possuídos por uma PAZ tamanha.

Marillena S. Ribeiro
Videira/SC

 

 

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