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Saudades...
Maria Antônia Canavezi Scarpa
Há dias vem me atormentando
fazendo de mim o que bem quer,
arrasta o meu sono, dilui as minhas esperanças,
transporta o tempo em gotas serenas
para que eu sinta o peso da sua audácia
Brinca com os meus sentimentos,
observa as voltas que dou no meu cansaço,
escondendo nas minhas mentiras
essa volúpia que teima em acordar
tantos sentimentos adormecidos,
guardados, com resquícios de amargura...
Doe tanto sentir saudades,
que fica difícil explicar esse amargor
nas horas mortas, que fazem dos meus dias
um ardiloso pesar;
de nada adiantou, regar as sementes que deixou,
não houve raiz forte para as fortalecer
Nesse vai e vem as noites se alongam
reviro na cama há tantos luas,
porque sei, que meus apelos tem remetente,
mas desconhece onde está o destinatário
por isso a verdade me inquieta,
oferecendo seus braços para os meus soluços...
Assim sigo ansiosa meio as brumas,
porque preciso e espero, que elas dissipem,
evaporem com os meus devaneios
ou adormeçam novamente, com os meus sonhos
ainda que sejam cinzas perfumadas
para renascerem Fênix em seu esplendor

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