SEU JUCA
Meus olhos bombeiam
o horizonte
pra longe, tão
longe de mim,
querendo encontrar
o fim
deste imenso
alambrado
e com o coração
apertado,
não querendo
acreditar
busco ao tempo
regressar,
em sonhos volto ao
passado.
Sinto o calor de
sua mão
no meu tempo de
criança,
que me dava
segurança
para o caminho
seguir.
Até consigo sorrir
esboçando
felicidade,
mas me dói esta
saudade,
parece não ter pra
onde ir.
Seus olhos ainda
brilham pra mim
e a voz está a me
aconselhar.
Calado me ponho a
escutar
o silêncio que
permanece no presente,
mas vagueia em
minha mente
como se fosse
realidade
a sua presença de
verdade,
só que não está
mais com a gente.
Primeiro foi o
Gustavo,
depois a vez do
Osmar,
mas pra que
pudessem matear
ao pé do mesmo
fogão,
por vontade do
Patrão
após cumprir sua
jornada,
foi pra Querência
Sagrada
sorver este mesmo
chimarrão.
Ficamos com a
saudade
alojada no coração.
É triste a
separação,
mas devemos
entender
que valeu a pena
viver,
que foram belos os
momentos
e valiosos os
ensinamentos
que nos fizeram
crescer.
Meu Pai, a noite
quando chega
traz o silêncio
pra companhia.
A charla fica vazia
E um lugar vago ao
lado.
Não se encontra
sentado,
proseando, dando
risada,
animando a peonada
com tanto causo
contado.
Mas haveremos de
seguir
sem nos desviar da
trilha,
pra honrar nossa
família
e ter no porte a
sua maneira.
Em nossa vida
inteira
ficará no coração,
com amor e
gratidão
por ser o esteio
dos Vieira.
Carinhosamente
Ruben Alves Vieira

